Menina dos olhos verdes.

green eyes

Eles verdes são,
e tem por usança
na cor, esperança
e nas obras, não.
Vossa condição
não é d’olhos verdes,
porque não me vedes.

Isenções a molhos
que eles dizem terdes,
não são d’olhos verdes,
nem de verdes olhos.
Sirvo de giolhos,
e vós não me credes
porque não me vedes.

Haviam de ser,
porque possa vê-los,
que uns olhos tão belos
não se hão de esconder;
mas fazeis-me crer
que já não são mais verdes,
porque não me vedes.

Verdes não o são
no que alcanço deles;
verdes são aqueles
que esperança dão.
Se na condição
está serem verdes,
Por que não me vedes?

Luís Vaz de Camões

Baby Hunter.

Ela era tímida, quieta, um pouco introvertida, ao longe. Seus amigos sabiam o quão brincalhona, besta e especial ela era.
Tão nova, tendo que lidar com coisas que nem adultos conseguem lidar direito.
Parecia em seu estado normal, na maioria das vezes, mas nós sabíamos que algo tão impactante não se apagava dessa forma, e que ela sofria em silêncio.
Ninguém a contou, ou ao menos deu a ela uma prévia de que seria tão difícil e tão doloroso.
Mas ela sentiu, tim tim por tim tim, cada pequeno detalhe, que as vezes julgamos insignificante, do que é perder alguém que se ama muito.
Não é o suficiente, dizer que tudo ficará bem não chega nem perto de ser suficiente, tentamos a confortar com palavras cuidadosamente escolhidas, mas ainda não é o suficiente, e nunca será.
O sentido da vida as vezes é perdido nessas recaídas de futilidade, esquecemos oque realmente importa, nossa família, nossos amigos, e não o Iphone 23 que acabou de lançar e eu preciso desesperadamente.
Isso acaba, assim como a nossa vida, cabe a você decidir oque fará mais falta.
“Nobody said it was easy, nobody said it would be this hard, oh take me back to the start…”

Andie.

Dezenove.

braid

 

– É tolice.
– Eu sei que é, mas está me matando por dentro. Cada dia sinto uma dor diferente. Como se estivesse se espalhando. – Disse, respirando forte, só para garantir que ainda doía. Naquele momento, na boca do estômago.
– Não diga bobagens. O que você tem não é uma daquelas doenças em que as pessoas se recusam a dizer o nome. Também não é amor. É drama. É pena de si mesmo. Vai passar.
– Dizem isso o tempo todo.
– É porque as pessoas, huuuum, digamos, elas vivem. Saem de suas casas todo dia, enfrentam horas no trânsito e ainda se arriscam em relacionamentos que obviamente não vão dar certo. E claro, depois de alguns meses, se ferram.
– E porque elas continuam tentando? – Retruquei.
– A ressaca do amor nunca dura para sempre. Não é como nos filmes, sabe? Vivemos no planeta terra. Temos um elenco que conta com bilhões de pessoas.
– Como eu descubro qual é a certa?
– Posso te contar uma coisa? A pessoa certa não existe. Todas as pessoas são um pouco erradas. Só depende do seu ponto de vista. Eu mesma já conheci dezenas de caras que me fizeram chorrar feito um bebê dentro do banheiro. Com a porta trancada e o chuveiro aberto que é para ninguém mais escutar. Deles, além da pelúcia inútil escondida em algum canto do guarda-roupa, levo os sorrisos e as dores. Ok. Também algumas músicas e bandas que conheci enquanto estava com cada um deles.
– E onde é que você guarda as dores?
– Junto com os momentos bons. Deixo em equilíbrio. Não vale a pena apagar nossos próprios sentimentos, sabe? Acho que é tudo meio ligado. A dor, saudade, insegurança, felicidade… Vão fazendo uma trança. Como essa que estou fazendo em seu cabelo. – Disse, ao pegar o elástico da minha mão e dar três voltinhas no final da trança.
– Ah, é? Eu queria ter coragem para cortar ele curtinho. Como o seu.
– Foi uma metáfora, mas se você está encarando dessa forma, vamos lá: quando você tira uma parte da trança, ela se torna mais feia, mais frágil, mais boba. É importante que os fios estejam bem organizados e divididos. Assim como os nossos próprios sentimentos. Precisamos entender muito bem quem somos, antes de cobrar isso dos outros. É um exercício complicado, mas funciona.
– Eu sei muito bem quem sou. Sempre soube.
– Todo mundo pensa assim. Até o momento em que erra. Às vezes, erra feio. De um jeito que as coisas nunca mais voltam a ser como antes. Então, mudam para se adaptar. E acabam não se conhecendo mais por um bom tempo.
– Isso é bom?
– Não é bom, nem ruim. É a vida de um ser humano na fase adulta. Seja bem-vinda.

Bruna Vieira.

É tudo culpa sua.

Me remexo na cama na tentativa falha de achar uma posição confortável para dormir, até parece que eu vou dormir.
Bato no criado mudo ao lado a procura do meu celular.Duas e meia da manhã, nada mal.
Ascendo as luzes do quarto e sento-me na cama, preciso dormir mas não consigo, a culpa é sua!
Começo a tirar o esmalte recém passado das unhas num ato de nervosismo e inquietação, minha mãe sempre dizia que isso deixava as unhas quebradiças, mas foda-se, isso não importa agora.
Culpa sua, minhas unhas estão um lixo por culpa sua!
Quem mandou ter o sorriso falso mais convincente de todos? E dizer coisas ridiculamente clichês e idiotas que você sabia que no fundo, beeem no fundo, eu iria acreditar?
Desço as escadas em direção a cozinha silenciosamente para não acordar ninguém, preciso de doce.
Vou ficar uma bola no meu vestido de aniversário semana que vem e a culpa, novamente, é sua!
Pego o pote de sorvete. Achar um copinho ou algo do tipo vai dar muito trabalho, vai na caneca do Homem-Aranha do meu irmão mesmo.
Sento na sala, no escuro, acender as luzes da casa de madrugada é pedir pra morrer, e coloco os fones de ouvido.
Só você mesmo pra me fazer tomar sorvete num frio do caralho desse e escutar Ed Sheeran as três horas da manhã.
Eu sou muito burra, nunca aprendo mesmo, essa coisa de “não se apegar” não funciona comigo, preciso de um tutorial pra isso aí.
Vivendo e aprendendo, amando e se fodendo  🙂

 

Por que?

 
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Eu só quero saber o porquê.

Me diz se tem uma razão única ou explicação razoável  para ele nunca te ligar de volta, te dizer coisas lindas em um dia e fingir que você nem existe no outro, te fazer chorar noites a fio e quando ele ver o seu rosto inchado e cansado não sentir nem uma mísera pontinha de arrependimento, pra fazer o seu rímel mais caro escorrer pelas suas bochechas só porque ele acha “que não vai dar certo”, te fazer arrancar os cabelos de preocupação porque ele “não da sinal de vida” a um tempo, fazer você se sentir especial, ao mesmo tempo que ele faz a outra também se sentir especial, te jurar coisas que ele SABE que ele não vai cumprir, será que ele sabe? Será que ele tem consciência do que é partir o coração de uma garota? Só sei de uma coisa, me faça chorar o quanto quiser, mas faço questão de ter você me assistindo quando eu estiver em cima do salto, de batom vermelho desfilando minha coleção “ Superei Você”.

 

Andie.

Ah não…

PARA TUDO!
Respira, respira fundo quantas vezes for preciso.
Fecha os olhos e se concentra.
Pensa em outra coisa, qualquer coisa, menos nisso.
Troca essa música pra uma mais agitada.
Para de olhar pro nada com cara de tonta toda hora.
Para de se pegar pensando nisso.
Para de dedilhar o violão e de repente todas as músicas se encaixarem nisso.
Para de ficar retardada quando o assunto é sobre isso ou com isso.
Para.
PAAAARA!
Me recuso, me recuso mesmo!
Essa dorzinha no fundo do peito.
Por favor, me diz que é um infarto, ou qualquer coisa do gênero.
Por que eu me recuso a aceitar que pode, que tem uma minúscula partícula atômica de possibilidade, de ser amor.

Andie.

30 de dezembro de 2012 – 23hrs e 55min.

Meu Deus!
O ano passou rápido! Mais rápido até do que deveria, quase não vi passar.

30 de dezembro de 2012 – 23hrs e 56min.

E que o flashback comece:
Bom, em 2012 eu:
Vi de pertinho minha cantora favorita; perdi 15 quilos, recuperei uns 3; fiz novos amigos, perdi outros; me permiti “não ligar” algumas vezes, me soltei mais; dancei, e como dancei; entrei para uma nova família, que me ensinou que no final das contas o que importa é sermos humildes e ajudarmos uns aos outros; terminei o Ensino Fundamental (Graças a Deus! Já não aguentava mais!); parei de roer as unhas (exceto em caso de TPM); pintei meu cabelo; comecei a usar sapatos altos sem cair ao primeiro passo; ri bem mais do que chorei; criei meu mundinho lindo e purpurinado, onde eu posso ser eu mesma, o Meu Batom Vermelho, conhece?

30 de dezembro de 2012 – 23hrs e 59min.

Será que aproveitei 2012 em cada minúsculo momento como deveria?

31 de dezembro de 2012 – 00hrs e 00min.

Se não, ainda tenho 24 horas para fazer ele valer a pena.

Andie.

Believe.

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Estava sentada hoje no chão do meu quarto, vasculhando coisas antigas.

No meio de tanta “tralha” achei um desenho, um desenho que eu havia feito a alguns anos quando a professora, na época “tia”, pediu para desenharmos nosso símbolo, uma representação do que éramos ou queríamos ser.
Desenhei um microfone, um microfone e nada mais.
Comecei a me lembrar das tardes que eu chegava da escola e sentava na sala para assistir Disney Channel.
High School Musical, Camp Rock, Hannah Montana e minha mãe sempre me dizendo que eu estava perdendo meu tempo.
Mas descobri que, na verdade, não estava.

Você se lembra o que todos esses programas diziam?
“Acredite em você, nos seus sonhos e lute por eles, não importa as consequências.”
Naquela época eu queria ser cantora. Usava minha escova de cabelo como microfone e cantava loucamente This Is Me em frente ao espelho, imaginando um estádio lotado, todos gritando meu nome.
A medida que fui crescendo e parando de assistir esses programas, fui caindo na triste realidade, que a única regra era “seu emprego deve lhe proporcionar dinheiro, e não diversão”.
Liguei minha TV ontem e um filme da Disney me chamou atenção: Lemonade Mouth.

Resolvi assistir, matar a saudade dos velhos tempos.
O filme relatava a histórias de adolescentes que se conheceram da detenção do colégio e resolveram montar uma banda, e dizia exatamente oque eu precisava ouvir: “ Nunca desista do que te faz feliz, mesmo as outras pessoa te provando o contrário ”, sem dúvidas que eu seria mais feliz em um palco do que em um escritório fazendo divórcios.
E todo aquele sonho de criança voltou, como se nunca tivesse ido embora.
Toda aquela esperança, brilhinho nos olhos, e coragem para fazer oque eu quiser, não oque eu preciso fazer.
O ponto é: Mesmo que você seja um médico, advogado, oque quer que seja, nunca deixe esse seu lado “Disney” morrer, pois ele sempre será seu melhor e mais puro lado.
Afinal o final do filme era essa mesma banda, formada na detenção do colégio, se apresentação para o Madison Square Garden lotado.

“We’re gonna let it show
We’re gonna just let go of everything
Holding back our dreams
And try
To make it come alive
Come on let it shine so they can see
We were meant to be, somebody”

Andie : )