Baby Hunter.

Ela era tímida, quieta, um pouco introvertida, ao longe. Seus amigos sabiam o quão brincalhona, besta e especial ela era.
Tão nova, tendo que lidar com coisas que nem adultos conseguem lidar direito.
Parecia em seu estado normal, na maioria das vezes, mas nós sabíamos que algo tão impactante não se apagava dessa forma, e que ela sofria em silêncio.
Ninguém a contou, ou ao menos deu a ela uma prévia de que seria tão difícil e tão doloroso.
Mas ela sentiu, tim tim por tim tim, cada pequeno detalhe, que as vezes julgamos insignificante, do que é perder alguém que se ama muito.
Não é o suficiente, dizer que tudo ficará bem não chega nem perto de ser suficiente, tentamos a confortar com palavras cuidadosamente escolhidas, mas ainda não é o suficiente, e nunca será.
O sentido da vida as vezes é perdido nessas recaídas de futilidade, esquecemos oque realmente importa, nossa família, nossos amigos, e não o Iphone 23 que acabou de lançar e eu preciso desesperadamente.
Isso acaba, assim como a nossa vida, cabe a você decidir oque fará mais falta.
“Nobody said it was easy, nobody said it would be this hard, oh take me back to the start…”

Andie.

Ah não…

PARA TUDO!
Respira, respira fundo quantas vezes for preciso.
Fecha os olhos e se concentra.
Pensa em outra coisa, qualquer coisa, menos nisso.
Troca essa música pra uma mais agitada.
Para de olhar pro nada com cara de tonta toda hora.
Para de se pegar pensando nisso.
Para de dedilhar o violão e de repente todas as músicas se encaixarem nisso.
Para de ficar retardada quando o assunto é sobre isso ou com isso.
Para.
PAAAARA!
Me recuso, me recuso mesmo!
Essa dorzinha no fundo do peito.
Por favor, me diz que é um infarto, ou qualquer coisa do gênero.
Por que eu me recuso a aceitar que pode, que tem uma minúscula partícula atômica de possibilidade, de ser amor.

Andie.